Nossa sina [pse]...


Nosso mundo, nossa vaidade, nossa escuridão, nossa sina... Assim é, assim sempre foi, assim sempre será... Entre a glória e a escória, caminha a humanidade desumana.

Num mundo de faces desgastadas e cansadas, que insiste em usar máscaras de triunfalismo e felicidade, cheio de almas em declínio, indiferentes habitantes ocos de um mundo em constante erosão, algumas coisas, por estranho que pareça, nunca ganham nitidez...


Temos olhos, mas não vemos. Temos ouvidos, mas não escutamos... É a nossa sina[pse].


Então, inconscientes da nossa louca cegueira, perdidos na nossa ilusão, reclusos de uma verdade que inventamos para justificar a nossa situação, ou convencidos por algum ser maligno, que, sutilmente toma posse do nosso coração que nos estimula a vaidade e disfarça a nossa surdez e o nosso pecado, inventamos uma luz artificial para elas, e mascaramos de luz a nossa imensa e fria escuridão...

Com as cores da nossa ilusão
Pintamos a nossa escuridão
Contornamos o incontornável
Assinamos a ilusão
Fingindo luz
Maquiamos o caos
Escondemos a ansiedade
Sufocamos a depressão
Viramos a cara e lavamos as mãos
Ratificamos a nossa perdição...


Mas a nossa imitação de luz 
Não chega para iluminar
As profundezas nossa alma
Nem aquecer o nosso coração...

Na face, coisa estranha, fingimos verão, mas na alma sofremos as dores dos dias de inverno e o medo das noites de escuridão...

O nosso veneno escondido
A nossa carta na manga
O nosso ferrão
O nosso mundo 
E a nossa ideia de vida
Deus sabe... Deus sempre soube
É só mais uma escuridão na escuridão...

E apesar de tudo, e de todas as máscaras inúteis que forjamos para esconder a nossa triste condição, apesar de todos e paraísos artificiais, que inventamos para alimentar as fomes da nossa alma, permanece ainda, por tempo indeterminado, a nossa prisão, as nossas algemas e nossa tosca ilusão de fé e liberdade...
_VBMello