Entre uma fugaz
alegria e outra, cheia de possibilidades de caos, sofrimento, decepção e dor...
Niilista, assim, boa parte do tempo, é essa coisa que tão descuidadamente nós
chamamos de nossa vida... Há um desespero e uma angústia que permeia e invade
os espaços mais secretos da vida... A
natureza humana está miseravelmente enraizada no vazio... E nesse vazio
naufragam multidões... O amor é o que dá sentido a isso tudo... É o que faz a existência
merecer o pomposo título de vida... É o único elemento da vida que faz suportável
o ato de viver, porque o amor é a afirmação da vida perante o nada e o
desespero de viver... Diante de uma vida
sem amor, entregue ao verme que sob a superfície da aparência rói e corrói, só
resta o desespero do nada. Mas...
O que é o amor?
É tudo aquilo que leva o ser humano
Ser humano
Simples assim
*
O que é o amor?
Ah, o amor...
Todo mundo sabe o que
ele é
Quando ele aparece
Tão raro ele é
*
O que é o amor?
Olhem bem...
Firmem os olhos no horizonte
Lá onde todas as manhãs o sol nasce
Vê um fogaréu
Um incêndio que emana da alma
Varre a terra
Queima a água
Grita
Estrebucha
Profana o sagrado
Range os dentes
Destrói
E reduz a cinzas tudo no caminho da sua
passagem?
*
O amor não é assim
Violento
Dionisíaco
Bêbado,
Cego
Cambaleante
Cruel
*
O que é o amor?
É tão fácil se confundir nessas coisas
do coração
Mas não se iluda
Porque o amor não é só coisa do coração
É também coisa da razão
O amor não é só paixão
*
O que é o amor?
Não confunda amor com amores
Não confunda ser amável com amar
Nem prazer com dores de prazer
Amor não é fome
Amor é saciedade
Pão da alma e do coração
*
Mas a paixão
Aquilo que deixa um rastro de feridas na
alma
É alimento que perde o gosto com o tempo
Hoje é doce
Amanhã será agridoce
Depois de amanhã já não será tão bom
E já não se quererá repetir
E por fim
Incapaz de repetir
Só resta repelir
E partir
E tudo
Rapidamente esquecido
No fim
Que é bem no começo
Será como se nada tivesse acontecido
*
O que é o amor?
O amor é o fogo sagrado
Que impede a perdição da alma humana no
vazio da sua existência
É uma suavidade e uma leveza
Um fogo – muitos já disseram isso - que
arde sem queimar
*
Amar é como ter asas
Aquele que ama
Mas não necessariamente quem é amado
Porque a verdadeira prova de amor é amar
sem ser amado
Alcançou o alto cume da sua evolução
moral e espiritual
Chegou ao lugar mais profundo do coração
Além do qual não há mais lugar algum
para chegar
Obteve a plenitude
E plana em paz além do bem e do mal
Na acepção mais profunda da palavra
Tornou-se o que nasceu para ser
Humano
V.B.Mello.
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