O dia amanheceu frio e cinzento...
E a tarde logo chegou e passou...
E a noite caiu...
E o sono foi leve e atormentado...
Pelos mesmos pesadelos que toda noite...
Desde sempre...
Visitavam-lhe a alma.
E por fim o dia tornou nascer...
Ainda chovia quando ela acordou.
A alma estava pesada e o corpo dolorido.
No fundo do peito uma insatisfação inconsciente
fremia...
E se formulava numa insistente e constrangedora
pergunta:
Você é feliz?
Por três vezes,
Por costume de responder,
Ela respondeu que sim.
Por três vezes mentiu...
E sabia disso.
Mas não ligou.
Tirando o fato de que
de tempos em tempos, imagens de antigos sonhos esquecidos surgiam na superfície
da sua alma, mas que por serem imediatamente afogadas pela agitação implacável
do oceano de pensamentos inconscientes que iam e vinham em sua mente
completamente absorta dos anseios mais profundos do seu coração, sequer eram percebidas
como algo mais que uma leve sensação de vazio...
E ela estava bem
acostumada a tratar esse tipo de inquietação com uma boa caneca de café...
Ou então com uma
barra de chocolate que ela levava sempre de prontidão dentro da bolsa...
E o dia passou normalmente.
E por fim a sensação incomoda de vazio passou por si
mesma.
E a vida seguiu previsível...
E ela nem pensou mais naquilo...
E o dia findou...
E a noite tornou a cair.
E depois de um sono leve e atormentado,
No amanhecer de outro dia, já não mais chuvoso,
Mas ensolarado como uma manhã de primavera...
Ela acordou cedo, abriu a janela e respirou fundo.
O dia estava tão perfeito...
Tão bonito.
E ala abriu um sorriso de intensa felicidade...
E o dia foi maravilhoso, cheio de sorrisos e amigos.
Mas já tarde da noite, sozinha em casa...
A voz da alma fremiu novamente:
Você é feliz?
Mas ela estava tão cansada do dia feliz que tinha
tido...
E logo pegou no sono...
Que foi leve e atormentado...
V.B.Mello.
Nenhum comentário :
Postar um comentário