9 de julho de 2013

Dia-a-dia

O dia amanheceu frio e cinzento...
E a tarde logo chegou e passou...
E a noite caiu...
E o sono foi leve e atormentado...
Pelos mesmos pesadelos que toda noite...
Desde sempre...
Visitavam-lhe a alma.
E por fim o dia tornou nascer...
Ainda chovia quando ela acordou.
A alma estava pesada e o corpo dolorido.
No fundo do peito uma insatisfação inconsciente fremia...
E se formulava numa insistente e constrangedora pergunta:
Você é feliz?
Por três vezes,
Por costume de responder,
Ela respondeu que sim.
Por três vezes mentiu...
E sabia disso.
Mas não ligou.
Tirando o fato de que de tempos em tempos, imagens de antigos sonhos esquecidos surgiam na superfície da sua alma, mas que por serem imediatamente afogadas pela agitação implacável do oceano de pensamentos inconscientes que iam e vinham em sua mente completamente absorta dos anseios mais profundos do seu coração, sequer eram percebidas como algo mais que uma leve sensação de vazio...
E ela estava bem acostumada a tratar esse tipo de inquietação com uma boa caneca de café...
Ou então com uma barra de chocolate que ela levava sempre de prontidão dentro da bolsa...
E o dia passou normalmente.
E por fim a sensação incomoda de vazio passou por si mesma.
E a vida seguiu previsível...
E ela nem pensou mais naquilo...
E o dia findou...
E a noite tornou a cair.
E depois de um sono leve e atormentado,
No amanhecer de outro dia, já não mais chuvoso,
Mas ensolarado como uma manhã de primavera...
Ela acordou cedo, abriu a janela e respirou fundo.
O dia estava tão perfeito...
Tão bonito.
E ala abriu um sorriso de intensa felicidade...
E o dia foi maravilhoso, cheio de sorrisos e amigos.
Mas já tarde da noite, sozinha em casa...
A voz da alma fremiu novamente:
Você é feliz?
Mas ela estava tão cansada do dia feliz que tinha tido...
E logo pegou no sono...
Que foi leve e atormentado...

V.B.Mello.




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