14 de fevereiro de 2022

NÃO ACREDITE EM TUDO QUE VOCÊ PENSA E SENTE.


— O que precisamos é de uma fé (em Deus), mais forte que as (nossas) emoções. Com efeito, não acredite em tudo que você sente. As emoções são importantes, mas não como guia de vida. Geralmente, as emoções são inconstantes, indisciplinadas e, não raro, mentem. Quem vive, o tempo todo, em questões essenciais, passivamente, deixando-se guiar pelo que pensa e sente, incapaz de compreender o próprio modo volúvel de ser, vive numa montanha-russa de palavras e ações desastradas. Somente a fé em algo maior que os nossos sentimentos e pensamentos, a Palavra de Deus, pode nos guiar, independentes das nossas emoções inconstantes e das circunstâncias incertas, numa longa e mesma direção, a direção da vida, da verdade, da justiça e da paz. É isso. “Não seja sábio aos seus próprios olhos; tema ao Senhor e evite o mal. Isso lhe dará saúde ao corpo e vigor aos ossos.” (Pv 3:7-8)
_VBMello

BOM ÂNIMO E PERSEVERANÇA - AS COISAS MAIS IMPORTANTES DA VIDA

Com efeito, em muitos momentos da vida, viver (continuar vivendo) exige uma dose extra de ânimo e perseverança. O mundo está cheio de existências interrompidas e de gente sentada à beira do caminho, olhando o horizonte com olhos vazios de fé e esperança, caídos por pura falta de perseverança e bom ânimo. Sim, bom ânimo e perseverança, são as coisas mais importantes do mundo. Onde elas faltam, os sonhos morrem e a vida malogra, atrofia e morre de desistência. O número dos que desistem e perecem, por falta de ânimo, é imenso. Aqueles de nós, que vivem, não sem lágrimas, e prosseguem suas vidas através da escuridão de muitos vales de sombra e morte, não o fazem sem uma constante renovação espiritual, que visa, diuturnamente, fortalecer o bom ânimo, a fé, a esperança e a perseverança. Em tempo: é o Senhor, e ninguém mais, que garante a perseverança dos seus. Sem a graça de Deus, ninguém se sustenta nos caminhos deste mundo caído. Deste modo, aqui, perseverança é entendida como uma constante e consciente renovação espiritual, por meio da fé em Deus, não sem a qual, nosso caminho arrisca ser severamente interrompido, a ponto de ficamos caídos na beira da estrada, abortados, esquecidos, envergonhados, sem dignidade e sem nome… É entendida como uma graça que nos eleva muito acima de todas as nossas limitações, medos e fraquezas, de modo que, renovados, possamos continuar caminhando na direção pretendida… Sim, uma graça de Deus que, nos momentos de maior luta e dificuldade, “faz forte ao cansado e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor”. (Is 40:29). É isso.
_VBMello

23 de junho de 2021

SOBRE DESCANSAR EM DEUS

Descansar em Deus é ser atravessado por ele. É sentir a impossibilidade de viver sem a presença viva de Deus. É ser cheio, até transbordar. É ser renovado, e, desde a raiz do coração, inundado e renovado pela graça e pelo perdão de Deus. Não é ficar sentado num canto silencioso. É ser avivado pela alegria de Deus. É ser tocado pela alegria do céu. É não ter nada na mente ou no coração, além da presença do Espírito Santo. É estar vazio de tudo, do mundo, dos pensamentos, do Ego, de culpa, de ansiedade, de raiva e vaidade, e cheio do Espírito Santo. Com efeito, Deus tem me dado muitas coisas espirituais, paz, alegria, renovo de esperança e fé, quando estou descansando nele. Descansar em Deus é querer só Deus, e nada mais. É deixar a vida vencer a morte. É deixar o vazio ser preenchido – até transbordar – pela presença do Espírito Santo. É deixar o medo ser vencido pela ousadia espiritual. É deixar o anseio do tempo ser inundado pela presença da eternidade. É, nele: viver, respirar, sonhar, realizar e se mover… É cantar, louvar e celebrar o seu nome, e disso, tirar alegria, paz, ânimo, vigor, coragem, cânticos e louvores.
_VBMello

26 de novembro de 2020

Mysterium Tremendum

Esta imagem enche meu coração com um profundo sentimento de fragilidade, solidão e transcendência. É como se a eternidade estivesse logo ali, ao alcance da mão, e o mundo, esse mundo cão, não fizesse mais sentido algum. Sinto a força arrebatadora de um mundo inteiro, represado no fundo do meu coração, chamando por Deus, estendendo a mão, faminto de graça e eternidade, querendo ir logo para casa, buscando um caminho por onde fluir, e esse caminho é Cristo, por meio da oração. 
_VBMello

Imagem - “Old Man Praying” (Julian Falat, 1881)


Um novo coração – de carne


Se Jesus não tivesse ressuscitado dos mortos, eu seria um budista convicto. Todavia, aleluia! Cristo ressuscitou e, eu, miserável pecador, surpreendido por tão grande salvação, a alma transbordante de gratidão e o coração – um novo coração – ardendo num fogo contínuo, que aquece e ilumina a escuridão das noites frias, diante de tão grande maravilha, retido por laços de fé, esperança e amor a Deus, prostrado ao pé da cruz, pelo resto da vida, não posso ser mais nada na vida, além de um mero cristão, em permanente conflito, com o mundo, com a carne e com o diabo. É isso. Coram Deo. 
_VBMello

Que tempos! Que época!

Que tempos! Que época! Com efeito, este é o tempo em que, se o diabo resolvesse aparecer na frente de muitos crentes, tão espirituais, mesmo que transformado num grande bode, com chifres, cascos e cheiro de enxofre, não seria reconhecido, talvez até fosse abraçado como amigo, tal o grau de surdez e cegueira espiritual de boa parte dos crentes, sempre perdidos no egoísmo contemplativo das questões relativas ao próprio umbigo. 
_VBMello

Minha conversão a Cristo

Só para constar. Eu não me converti pela pregação ou testemunho de ninguém. Eu fui convertido a Cristo, no início de 1995, lendo a Bíblia, sozinho — de capa a capa —, trancado horas e horas, madrugada após madrugada, dentro do meu quarto, quando comecei a sentir uma vontade irresistível de ir a uma igreja, coisa que fiz logo em seguida. Quatro meses depois, pela graça de Deus, fui batizado.

O dia do meu batizado, numa igreja simples (pastor Álvaro), está entre minhas melhores recordações. Hoje em dia, depois de uma longa caminhada numa mesma direção, quando a coisa aperta, quando a vida fica difícil, quando portas e janelas se fecham, minha memória — em busca de ar fresco — sempre volta ao primeiro amor, alegria e promessas sobrenaturais, daqueles dias primeiros.

Sim, os dias são difíceis e maus... Todavia, "quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? Como está escrito: "Por amor de ti enfrentamos a morte todos os dias; somos considerados como ovelhas destinadas ao matadouro". Mas, em todas estas coisas somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. [Romanos 8:35-37]

A pior teologia

Boa parte dos crentes desse início de século, cuja alma foi gradativamente pervertida pela teologia da prosperidade, jamais serão capazes de apreciar a boa espiritualidade do verdadeiro evangelho. Cativos de uma fé meramente utilitarista, eles não se aproximam de Deus, porque Deus é Deus, mas sim, coisa lamentável, movidos pela esperança mundana de, de algum modo, serem abençoados com toda sorte de bênçãos materiais. Em tudo, desde os dízimos, ofertas, frequência a cultos, etc., eles vivem de barganhas com Deus. Nada fazem livremente, tudo fazem por interesse em algum tipo de ganho material. A espiritualidade deles, resume-se nisso, dar para receber mais e mais. Como a sanguessuga, descrita por Agur, filho de Jaque (Provérbios 30:1), o credo deles, resume-se a duas palavra: dá, dá. Mesmo na adoração, são utilitaristas. Eles não conseguem adorar livremente, são materialistas demais para tanto. A preocupação deles é só com aquilo que o dinheiro pode comprar. É lamentável, vergonhoso e desanimador. Verdade seja dita, de todas as teologias, a que menos merece o nome de teologia, é essa perversão satânica, chamada de teologia da prosperidade, que não prospera ninguém, mas perverte o coração de muitos, a afastando-os para longe da boa, simples e verdadeira espiritualidade cristã. É isso. Coram Deo.
_VBMello

A era da cegueira espiritual total

Vivemos um tempo estranho em que, quanto mais a pessoa vive longe de Deus, mais acredita ser um seguidor sincero de Cristo. Nunca se falou tanto o nome de Deus em vão. Jamais se adorou tantos deuses estranhos, em nome do Deus verdadeiro. A contradição espiritual é a marca mais visível dessa nossa era de vazios morais e vaidades políticas. Vem, Senhor Jesus!
_VBMello

Raça de víboras!

Com efeito, quanto mais perto de Deus você andar, mais os fariseus - sempre eles - vão dizer que você vive e anda em trevas profundas. Na verdade, a Jesus, que era um com o Pai, eles acusaram de ser um com Belzebu. Raça de víboras! Todavia, para que ninguém desanime, Jesus deixou avisado que o discípulo não é maior que o seu mestre. Portanto, esteja avisado, "se o dono da casa foi chamado Belzebu, quanto mais os membros da sua família!" (Mateus 10:25). É isso. Coram Deo. Raça de víboras!
_VBMello

26 de julho de 2020

O CARÁTER CRISTÃO X PESSOAS SEM QUALIDADE MORAL — QUE SE DIZEM CRISTÃS.

Vocês pensam que vim para dar paz à terra? Eu afirmo a vocês que não; pelo contrário, vim para trazer divisão. Porque, daqui em diante, estarão cinco divididos numa casa: três contra dois e dois contra três. Estarão divididos: pai contra filho, filho contra pai; mãe contra filha, filha contra mãe; sogra contra nora e nora contra sogra. [Lucas 12:51-53]


É CLARO QUE A FÉ CRISTÃ DIVIDE AS PESSOAS. Neste mundo de injustiça globalizada, sempre que vejo um cristão, homem ou mulher, não importa, do tipo bonzinho que, estrategicamente, transita bem por todos os ambientes, logo penso que, mais do que uma extraordinária capacidade relacional, tal indivíduo sofre mesmo é de falta de caráter.


Pessoas de caráter firme, que sabem a diferença entre o que é certo e o que é errado, que discernem rápido as diferenças entre a justiça e a injustiça, que estão bem familiarizadas com as diferenças entre o bem e o mal, e que escolheram — incondicionalmente — andar no caminho do bem, não raro, apenas pelo fato de existirem, são perseguidas e hostilizadas. Isso é um fato.


De certa forma, e isso sempre foi assim, o único modo possível de ser cristão e viver sem sofrer perseguições, isto é, viver como pessoa descolada e agradável a todo mundo, é não ter caráter. É não fazer oposição à injustiça e fazer vista grosa ao mal. É calar onde se faz necessário apontar o dedo e denunciar. Enfim, é ser uma pessoa sem qualidades éticas e morais.


Neste mundo de injustiça generalizada, ser cristão, o oposto de um homem sem qualidade moral, é tornar-se, pela oposição ferrenha à injustiça, à mentira, à hipocrisia, persona non grata (pessoa não agradável, não querida ou não bem-vinda) a muitos ambientes e a muitas pessoas, seja no ambiente familiar, na política ou na rua.


De qualquer forma, que fique dito — de uma vez por todas. Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, pois deles é o Reino dos céus. [Mateus 5:10].


— É isso. Seja forte e corajoso, noutras palavras: seja uma pessoa de caráter cristão firme... e prepare-se para o linchamento.
_VBMello

9 de julho de 2020

ESTUDO DA PALAVRA - Hermenêutica bíblica X hermenêutica do diabo

— Interpretar o mundo e tudo que nele há — e tudo que nele acontece, a partir das próprias convicções políticas, direita ou esquerda, não importa, é um tipo de hermenêutica do diabo.


— O Cristão, se sincero, não responde ao mundo a partir das vozes desencontradas do mundo, mas unicamente a partir da unidade da Palavra de Deus, que é soberana sobre tudo e sobre todos.


— Numa palavra: o cristianismo, se bíblico, fala aos dramas do tempo a partir da luz da eternidade, conforme revelada nas Escrituras.


— Portanto, a boa interpretação bíblica não é um "achismo do coração", não é uma opinião minha ou sua. É Deus falando.


— Nada de bom nasce de uma hermenêutica baseada nos desejos do próprio coração, que responde ao mundo a partir das próprias vozes desencontradas do mundo. Na verdade, separado das Escrituras, nosso coração nem sequer sabe o que é a verdade.


— Para o cristão, repito, se sincero, o começo e o fim de toda boa interpretação do mundo e de tudo que nele acontece, política, pandemia, o que for, é deixar Deus falar, não por revelações místicas, sonhos, visões, desejos carnais, ou vozes que se ouve no coração, mas pela voz das Escrituras Sagradas, juiz e luz de toda interpretação verdadeira.


— É isso. Não se empolgue tanto com “as suas verdades”, baseadas nas suas convicções políticas, antes, como dizia Lutero: Deixa Deus ser Deus. Soli Deo gloria.
_VBMello

29 de maio de 2020

Fake news — A política do diabo.


O diabo, pai da mentira, a começar por Gênesis 3:4 — “É certo que vocês não morrerão” — é o rei das notícias falsas.

Qualquer governo que faz uso contínuo de milícias digitais, criadoras e disseminadoras de notícias falsas, para fomentar o caos, destruir reputações e se sustentar no poder, jaz no Maligno.

Nada de bom pode vir de um governo que jaz no Maligno, posto que promete vida, mas só pode mesmo, conforme a sua natureza maligna, entregar caos, desespero e morte. É isso. Soli Deo gloria. O pior ainda está por vir.
_VBMello

28 de abril de 2020

Creio na soberania absoluta, universal e ilimitada de Deus

Guardado pela soberana mão de Deus, porque o Senhor me amou primeiro, estou em Cristo. Já estava, antes dessa pandemia chegar, e continuarei vivendo nele — e ele em mim —, depois que isso tudo passar.


Com efeito, o pandemônio causado pela pandemia, a contragosto, mudou o meu modo de viver, mas não mudou o meu modo de crer. A minha fé é a mesma. Não é mitológica, é real, viva e eficaz, é fé no Deus vivo. Com efeito, apesar de todas as mudanças pelas quais o mundo tem passado, ainda sou o que sempre fui, um pecador salvo pela graça de Deus. 


No meio do caos mundial dessa escuridão, a paz de Deus, na presença do Espírito Santo, não tem me faltado. Espiritualmente falando, apesar de tudo, nunca fui tão abençoado. Vivo dias de intensa gratidão, por minha vida, pela minha família, pelos meus irmãos na fé, todos guardados pelo precioso sangue de Cristo. Meu coração não está ansioso por coisa alguma. Estou em Cristo. Sou dele. Confio plenamente na mão soberana de Deus. 


Em todo o tempo, o tempo todo, nele - e por ele - eu vivo, me movo e existo em segurança. Nele - e somente nele - os meus dias estão contados e guardados. A quem temerei? 


Sim, eu sei, aposto a minha vida nisso... Desse tempo de adversidade que vivemos agora, com mão poderosa, Deus há de tirar algo bom para os que são dele, para aqueles que, por amor do seu nome, o chamam de Pai, Senhor e Deus. 


Sim, todos aqueles que vivem pela fé, sabem de antemão, por isso não se desesperam — Deus jamais esquece os seus. 


Com efeito, no tempo de Deus, todo esse caos que está acontece no mundo, pelo mover soberano do Espírito do Senhor, vai - porque Deus é o dono do mundo - cooperar para o bem daqueles que amam a Deus. 


É nisso que creio. É isso que sustenta a minha vida e me dá paz, coragem e força no meio do caos. É isso. Coram Deo. Soli Deo gloria. 


Com temor e tremor, VBMello

MIto? — Onde? — Que mito? Só vejo uma sombra que passa.

Do ponto de vista cristão
Transformar um político em mito
Isto é, elevá-lo acima
Daquilo que ele realmente é
Um senhor coisa nenhuma
Cheio de ódio e loucura no coração
Seja ele de esquerda
Ou de direita — não importa
Não é melhorá-lo
Em aspecto algum
É piorá-lo — sempre
Em todos os aspectos.


A meu ver, sem querer fazer disso uma polémica
Um dos piores pecados do Bolsonaro - que se diz cristão
Foi aceitar passivamente — levianamente
Esse tipo de tratamento "mitológico."


Sim, de tanto ouvir essa mentira
Mentira essa que vestiu, como uma luva
O Ego inflado e inflamado dele
Porque, ao que tudo indica
Parece que ele acredita mesmo
Que é um mito, isto é
Um ser místico
Quase sobrenatural
Levantado por Deus
Para salvar a nação
Da fúria consumidora
Do espectro comunista.


Convenhamos, um governo
Que precisa fazer uso
Desse tipo de desculpa
Para cativar seus seguidores
É um governo agonizante
Cuja única coisa que consegue fazer bem
É contar histórias, fazer inimigos
E chamar colaboradores de traidores.


É difícil pensar num final feliz
Para uma situação feia assim
Que Deus tenha misericórdia de nós!
_VBMello

27 de abril de 2020

Em tempos de pandemia, na incerteza do amanhã — Jesus Cristo hoje.

Blog Do Diácono Cleiton Albino: Sem uma vida de oração não há ...
— Em tempos sombrios, como esses que estamos vivendo, onde o futuro é incerto e as pessoas andam com os nervos à flor da pele, a disciplina da oração surge como um respiradouro essencial para a saúde da alma.

— Uma alma pesada de tristeza, permanentemente cansada e sobrecarregada pelos fardos da existência, não dá conta de viver em paz num mundo de tantas decepções e desencontros, onde as pessoas, por qualquer coisa, qualquer coisa mesmo, perdem o equilíbrio e desesperam-se, debatendom-se num abismo incerteza, fúria e ansiedade.

— De modo a encontrar a paz e o descanso espiritual desejado, isto é, para não ser aniquilada pela incerteza do mundo, mais que depressa, a pessoa, de modo a conserva intacta a sua sanidade mental, deve lançar-se aos pés de Cristo, aprender com ele o caminho do perdão, a estrada da misericórdia, e a via da mansidão e da humildade, criando assim, pela ação do Espírito Santo, um coração puro, livre, forte e iluminado, capaz de fazer frente, com fé, esperança e amor, ao pavor da escuridão que avança pelo mundo.

— Pela oração, a paz de Cristo, que excede a capacidade de entendimento desse mundo de dores, penetra fundo o nosso espírito, e governa o nosso coração, alma e pensamentos, livrando-nos — pela consolação do Espírito Santo — do cativeiro da escuridão e das algemas das preocupações mundanas, que roubam de nós, num instante, as nossas melhores oportunidades de crescimento e amadurecimento espiritual de uma vida verdadeiramente vivida aos pés de Cristo, livre, espiritualmente rica de esperança, abundante de boas palavras e farta de boas atitudes, além, claro, madura e equilibrada, perante os desequilíbrios e incertezas do mundo. É isso. Coram Deo. Soli Deo gloria.
_VBMello

Sobre Cristianismo e mitologia política


Bolsonaro é um mito, gritam os seus seguidores mais apaixonados. Pois, que seja. Mas que tipo de mito? Em qualquer mitologia há muitas categorias de mitos, mitos bons e mitos maus, mitos do céu e mitos do inferno, mitos do Olimpo e mitos do mundo subterrâneo, mitos da luz e mitos da escuridão. Se Bolsonaro é um mito, que tipo de mito ele é? Aqui vale aquela regra cristã:

— Por seus frutos os conhecereis. Porventura colhem-se uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos? Assim, toda a árvore boa produz bons frutos, e toda a árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa dar maus frutos; nem a árvore má dar frutos bons. Toda a árvore que não dá bom fruto corta-se e lança-se no fogo. Portanto, pelos seus frutos os conhecereis. [Mateus 7:16-20]

A propósito, os mitos eram os deuses antigos, que reinavam absolutos, antes do Cristianismo surgir na terra. Mais ainda, não é difícil encontrar, entre os primeiros cristãos, quem visse neles apenas a manifestação pura e simples de demônios.

Logo, mitologizar alguém, não seria, do ponto de vista da história do Cristianismo, avivar o espírito de antigos demônios? É possível ser cristão e, ainda assim — coisa estranha — participara da criação de mitos? Não seria isso o mesmo que flertar com antigos poderes arquetípicos, banidos pelo Cristianismo? Pois, se Bolsonaro é um mito, qual é o seu correspondente na mitologia? Enfim, que tipo de mito ele é? É uma pergunta que precisa ser respondida, antes de continuar — inconscientemente — tratando-o como um mito. Pois, meu caro, não é impunemente que se transforma um político em mito.

Portanto, sendo você um cristão sincero, ao chamar um homem de mito, você, repito, se sincero, não pode fugir da consequência dessa ideia, isto é, do fato de que, ao “mitologizar” o seu político de estimação, você está praticamente o divinizando, isto é, colocando-o acima do bem e do mal. Você espera mesmo que esse tipo de coisa tenha um final feliz? Tal pensamento é compatível com a fé cristã? Responda, se puder.

De fato, em todo lugar da história onde políticos foram divinizados, ou mitologizados, ou seja, onde a política foi transformada num tipo de religião, não demorou até que o político em questão, com o apoio de parte da igreja, aquela parte mais preocupada com o progresso da economia do que com a vida das pessoas, posto que para esse tipo de religião política, as pessoas são apenas um recurso para tempo de eleição, passasse a agir como um demônio, isto é, que virasse um tirano disposto a tudo para se manter no poder.

De certa forma, mesmo em nossos dias “cientificamente esclarecidos”, chamar alguém de mito, não é uma brincadeira inconsequente, é praticamente o mesmo que dizer que ele é um tipo de deus… Acontece que, não existe mito sem mitologia… Portanto, quanto tempo ainda, até o bolsonarismo virar uma religião política? É só uma pergunta. Seja como for, é uma pergunta que precisa de resposta.

Sim, meu caro, pense nisso, talvez você que canta e adora a Deus na igreja, sem se dar contar (será?), já tenha, no coração, se transformado num membro ativo, mais fervoroso até que na adoração do Deus vivo, dessa nova religião de homens. Pense nisso, examine a si mesmo. Seja sincero… A quem pertence o seu coração, a Deus ou a um mito?

Sim, é verdade, temos um mito entre nós, mas que tipo de mito, um mito do Olimpo, ou um mito do hades? Dito isto, que tipo de mito é esse Bolsonaro, para você? Seja sincero, pois a sua sinceridade, nesse caso, vai determinar a natureza do espírito de adoração que te guia no caminho da verdade, isto é, se você adora mesmo o Deus Altíssimo, ou é apenas mais um seguidor inconsciente de um mito do reino inferior, um mito do reino dos mortos. É isso. Reflita.
_VBMello
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Imagem - Hades (Ralph Fiennes). Cena do filme Fúria de Titãs.

POLÍTICA E FÉ — DISCERNIMENTO E CEGUEIRA

— Não há problema algum em ser partidário deste ou daquele político, afinal, ainda estamos numa democracia. Mas chamá-lo de mito, sem considerar o perigo inerente que esse tipo de tratamento acarreta, ainda mais, sendo você um cristão, perdoe-me, mas isso é coisa de gente que vive na infância da fé. 


— Em todas as nossas escolhas políticas, se maduras, nada deve ser incondicional, tudo deve permanecer aberto a crítica e julgamento. O apoio incondicional dado a qualquer político, tem um nome, que para o cristão é quase um palavrão: alienação. Não há nada pior do que um cristão alienado. 


— Em todas as coisas, para que não nos coloquemos em jugo desigual com as trevas, a regra cristã é: que a árvore seja julgada, não pela sua aparência, isto é pela sua folhagem, mas pelos seus frutos, sempre. Não daqui a uns cinquenta anos, pela história, mas no momento mesmo em que ela produz os seus frutos, isto é, nesse tempo que se chama agora. 


— A fé que fica aquém disso, isto é, que não é madura o suficiente para discernir — e decidir —, apesar de um mundo de evidências, entre o bem e o mal, não é fé em Deus, é fé seduzida pelo demônio. É isso. 
_VBMello

2 de março de 2020

Não são as palavras que curam e consolam... É quem fala.

Se não estou verdadeiramente disposto
Num exercício de sincera humildade
A reconhecer e confessar
As minhas próprias faltas e feridas pessoais
É simplesmente em vão
Que aponto e tento curar
As dores e as feridas dos outros.

A primeira tarefa do curador
E que tarefa difícil
É, mediante o Evangelho da graça
Ser sincero consigo mesmo
Sem filtros, examinar a si mesmo
Olhar demoradamente
Para o próprio coração
E reconhecer seus próprios pecados
Faltas, feridas e limitações.

O pior curador - o mais hipócrita
É o curador que - cheio de evasivas
E palavras vazias de alma
Não reconhece as suas próprias feridas
Mas, em toda ocasião
Finge-se de forte e íntegro
Quando está quebrado por dentro.

O pior curador é o que não reconhece
Que precisa da cura de Deus
Antes de se aventurar a curar outros.

Um curador inconsciente
De suas próprias feridas
Não desenvolve compaixão
Não estabelece empatia
E não chega ao coração do outro.

Por conseguinte, pela insensibilidade
Que lhe é característica
Em suas tentativas de trazer
Alguma cura e paz aos feridos de alma
Ele corre o risco, não de curar
Mas de aumentar o sofrimento alheio.

Porque, verdade seja dita
Grosso modo, não são as palavras
Que curam é consolam. É quem fala.
É quem foi curado pela graça de Deus.
_VBMello

Imagem - cena do filme Silêncio (1917) - Martin Scorsese.